CIDH realiza audiência sobre violações da ditadura contra povos indígenas
O encontro vai abordar casos emblemáticos, como o do povo Tapayuna, além de apresentar documento com denúncias e propostas de reparação.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) realiza, na próxima segunda-feira, 21 de julho, uma audiência pública na Câmara de Direitos Humanos para discutir as graves violações cometidas contra povos indígenas durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985).
A audiência tem como foco casos simbólicos de violência, como o do povo Tapayuna, que sofreu deslocamentos forçados, perda de território e outras formas de repressão por parte do Estado durante o regime militar. Situações semelhantes vividas por outros povos indígenas também serão abordadas, destacando como os efeitos dessas violações seguem impactando as comunidades até os dias atuais.
O encontro contará com a participação de lideranças indígenas, sobreviventes, pesquisadores e representantes do Estado brasileiro. Serão ouvidos testemunhos, debatidas evidências históricas e discutidos caminhos para garantir justiça, reconhecimento e reparação.
Um documento intitulado “Direitos Humanos, Povos Indígenas, Ditadura Militar no Brasil“, foi entregue em abril de 2025 ao relator especial da ONU sobre Verdade, Justiça, Reparação e Garantias de Não Repetição, Bernard Duhaime. A publicação foi elaborada por parceiros da Associação Indígena Tapayuna (AIT): a OPAN (Operação Amazônia Nativa) e Amigos da Terra Amazônia Brasileira e reúne denúncias e registros das violações sofridas por povos indígenas no estado de Mato Grosso durante o regime.
A iniciativa representa um passo importante na luta por justiça histórica e pela garantia de que crimes cometidos pelo Estado não sejam esquecidos nem repetidos. A escuta das vozes indígenas é central nesse processo de construção de memória, verdade e reparação.
A sessão será transmitida dia 21 de julho à partir das 17 horas. Para acompanhar é, via zoom, possível realizar uma pré-inscrição, ou por meio do canal do Youtube da CIDH.
Por Katngo Khisetje
